O senador Carlos Viana (PSD-MG) protocolou nesta terça-feira (1º) um novo pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A iniciativa ocorre após a divulgação de informações de uma investigação da Polícia Federal que apontam para uma relação próxima entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Segundo levantamento divulgado nesta terça, este é o 54º pedido de impeachment apresentado contra Moraes no Senado. O documento de Carlos Viana cita, entre outros pontos, mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro e um contrato milionário firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.
A nova polêmica ganhou força depois que o ministro André Mendonça, do STF, retirou o sigilo de parte do material relacionado à investigação. O relatório da Polícia Federal detalha contatos entre Moraes e Vorcaro e levanta questionamentos sobre uma possível atuação do ministro em favor do banqueiro.
Mensagens entre Moraes e Vorcaro
De acordo com o relatório da PF, Vorcaro mantinha o número de Alexandre de Moraes salvo no celular e teria trocado mensagens diretamente com o ministro.
Um dos episódios que mais chamou a atenção dos investigadores ocorreu em novembro de 2025, pouco antes da prisão do banqueiro. Segundo a PF, dois dias antes de ser preso, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o Brasil.
Em outras mensagens, o banqueiro teria buscado informações sobre possíveis medidas contra ele e pedido que autoridades fossem procuradas para tentar evitar ou retardar ações relacionadas ao Banco Master.
A investigação também aponta que Vorcaro teria pedido ajuda envolvendo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
As mensagens, no entanto, não foram recuperadas diretamente nas conversas do WhatsApp. Segundo a investigação, Vorcaro escrevia os textos em um bloco de notas, fazia uma captura de tela e enviava a imagem como mensagem de visualização única. O conteúdo das respostas de Moraes também não teria sido recuperado da mesma maneira.
Contrato de R$ 131 milhões
Outro ponto central da investigação é um contrato entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, de propriedade da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
O acordo previa inicialmente o pagamento de R$ 3 milhões por mês durante 36 meses, chegando a R$ 108 milhões líquidos. Considerando os valores brutos e tributos, a investigação trata do contrato como sendo de aproximadamente R$ 131 milhões.
A Polícia Federal analisou os metadados dos documentos e identificou que versões da minuta do contrato foram modificadas por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”, antes da assinatura do acordo.

O escritório de Viviane Barci de Moraes afirma que o ministro foi consultado pelo setor de compliance para verificar se existia algum impedimento legal para a contratação. Segundo a defesa, não havia impedimento porque Moraes nunca teria julgado no STF uma causa envolvendo o Banco Master, e os serviços previstos no contrato foram efetivamente prestados.
A investigação também menciona uma segunda negociação, de R$ 50 milhões, envolvendo o escritório e o uso de cotas de um jatinho e de um helicóptero. O escritório afirma que essa proposta não foi aceita e que nenhum segundo contrato foi assinado.
Fábio Faria aparece nas conversas
As investigações apontam ainda que o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria teria feito a ponte entre Vorcaro e Moraes no fim de 2023.
Segundo a PF, Faria enviou a Vorcaro contatos atribuídos ao ministro e continuou intermediando encontros entre os dois. As mensagens analisadas pelos investigadores também indicam que os contatos ocorreram no mesmo período em que Vorcaro negociava o contrato com o escritório de Viviane Barci de Moraes.
O que acontece agora
O pedido apresentado por Carlos Viana será analisado pelo Senado. Cabe ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre, decidir se dá andamento à denúncia.
O protocolo do pedido, por si só, não significa que Alexandre de Moraes tenha sido considerado culpado ou que exista uma decisão pelo seu impeachment. Trata-se de uma iniciativa parlamentar baseada nas informações e suspeitas apresentadas pelo senador.
O caso ainda está em investigação e envolve diferentes autoridades e instituições. A divulgação das mensagens e dos documentos, porém, aumentou a pressão política sobre Moraes e abriu uma nova frente de questionamentos sobre a relação do ministro com Daniel Vorcaro e sobre a contratação do escritório de sua esposa pelo Banco Master.

