A história de Penha ganhou um novo registro com o lançamento do livro “Penha de Itapocoróy – Histórias e Memórias dos mais de 300 anos”. A obra é resultado de anos de pesquisa do professor, historiador e gestor cultural Eduardo Bajara de Souza. O lançamento aconteceu na Escola de Educação Básica João Batista Paiva, em Armação do Itapocoróy.
Com 148 páginas, a obra reúne pesquisas, relatos e curiosidades sobre a formação e o desenvolvimento de Penha ao longo de mais de três séculos. O trabalho procura reunir informações que estão espalhadas em documentos históricos, registros antigos e relatos de moradores, incluindo episódios que, segundo o autor, não aparecem em publicações oficiais sobre o município.
Entre os temas abordados estão a presença dos povos indígenas carijós, os sambaquis, a chegada dos açorianos, a participação da população escravizada na construção da história local e a formação das comunidades ligadas à pesca. O livro também dedica espaço aos chamados “poetas-pescadores” e às mulheres que participaram da atividade pesqueira e da formação da comunidade, além de abordar a história de Penha anterior à construção da Capela de São João Batista, cuja pedra fundamental foi lançada em 1759.
Um dos destaques da publicação é uma linha do tempo de seis páginas, que reúne acontecimentos e datas relacionadas à evolução histórica do município. Segundo Eduardo Bajara, a proposta é ampliar o registro da memória de Penha e valorizar elementos da identidade cultural do município. O pesquisador resume a proposta da obra ao afirmar que o livro não começa necessariamente onde começam os documentos oficiais, mas busca recuperar diferentes fontes e memórias que ajudam a contar a trajetória da cidade.

Natural de Penha e descendente de açorianos e belgas, Eduardo Bajara atuou como superintendente da Fundação Cultural Municipal de Penha entre 2017 e 2024. Também presidiu o Colegiado de Gestores Culturais da AMFRI nos anos de 2022 e 2023.
Ao longo da carreira, recebeu reconhecimentos como as comendas Homem Brilhante e Embaixador Cultural da Paz, da Academia de Letras do Brasil de Santa Catarina, e o Troféu Catarinense Açorianidade Ilha Graciosa, concedido pelo Núcleo de Estudos Açorianos da UFSC em 2023, na categoria de pesquisador e historiador.
Bajara também recebeu, em 2022 e 2023, os prêmios catarinenses de Boas Práticas Culturais, concedidos pela Federação de Consórcios, Associações de Municípios e Municípios de Santa Catarina. A nova publicação passa a integrar o conjunto de registros dedicados à preservação da memória e da história de Penha, reunindo em uma única obra diferentes períodos e personagens que contribuíram para a formação do município.
