Uma ação conjunta do Conselho Tutelar e da Polícia Militar resultou no resgate de quatro adolescentes vítimas de exploração do trabalho infantil em uma chamada “carreta furacão”, na tarde desta segunda-feira (5), no bairro Meia Praia, em Navegantes. A operação foi desencadeada após denúncia ao Disque 100 e teve como objetivo apurar possíveis violações de direitos envolvendo menores de idade.
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De acordo com as autoridades, a denúncia indicava que adolescentes estariam trabalhando de forma irregular no veículo de entretenimento, sob ameaças e com restrições de contato com familiares. Diante da gravidade das informações, o Conselho Tutelar solicitou apoio do 25º Batalhão da Polícia Militar para averiguação no local.
Durante a abordagem, foram identificados quatro adolescentes com idades entre 13 e 17 anos. Em depoimento inicial, os jovens relataram não sofrer agressões físicas, afirmaram ter autorização dos responsáveis para acompanhar o grupo e disseram ter acesso à alimentação. No entanto, a Polícia Militar constatou que as condições de alojamento eram precárias, sem estrutura adequada de higiene, ventilação e descanso, o que é considerado incompatível com a permanência de adolescentes.
Ainda durante a ação, os policiais localizaram um revólver calibre 38 com nove munições intactas dentro de um dos veículos utilizados pelo grupo. O responsável assumiu a posse da arma e informou não possuir autorização legal. Em outro automóvel, foi apreendido um simulacro de arma de fogo do tipo airsoft, acompanhado de acessórios. Dois homens foram presos no local.
Os adolescentes foram retirados da situação e ficaram sob a responsabilidade do Conselho Tutelar, que dará andamento às medidas de proteção previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O órgão irá analisar cada caso individualmente, entrar em contato com os familiares e adotar as providências necessárias para garantir a integridade física, emocional e social dos jovens.
Segundo o presidente do Conselho Tutelar, Marciano Figleski, a ocorrência reforça a importância das denúncias e da atuação integrada entre os órgãos de proteção e as forças de segurança na defesa dos direitos de crianças e adolescentes.
Os adultos envolvidos foram encaminhados à Polícia Federal, onde foi instaurado procedimento para apurar possível redução de pessoas à condição análoga à de escravidão. Em seguida, eles também foram conduzidos à Central de Plantão Policial, onde devem responder por posse irregular de arma de fogo e por porte ou posse de simulacro.
