Política

Prorrogação do STF não chega a tempo e eleitora fica sem votar em Piçarras

Redação Marazul
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Redação
Publicado em 26 de outubro de 2026 às 10h04

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de prorrogar até as 19h o horário de votação no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 não impediu que eleitores de Balneário Piçarras e Barra Velha ficassem sem votar após o encerramento das sessões às 17h. Na região, as urnas já haviam sido fechadas quando a orientação para estender a votação chegou à Justiça Eleitoral.

Um dos casos foi o da moradora de Balneário Piçarras, Sandra Maria da Rosa. Ela chegou à Escola Alexandre Guilherme Figueiredo por volta das 17h45, acreditando que ainda poderia votar após acompanhar as notícias sobre a decisão do STF. No entanto, encontrou o local fechado e não conseguiu exercer o direito ao voto.

“Eu estive uma vez aqui, esqueci minha identidade, voltei em casa e vim agora votar porque eu escutei na televisão que teria mais tempo para votar. Mas quando cheguei aqui já estava fechado”, relatou Sandra à reportagem.

O cartório da 68ª Zona Eleitoral, localizado em Balneário Piçarras e responsável pelo atendimento eleitoral de municípios da região, encerrou as atividades das sessões às 17h, seguindo o horário originalmente previsto.

Em Barra Velha, a delegada do colégio eleitoral, Denise Linhares, confirmou à reportagem que os trabalhos também foram encerrados às 17h. Após o fechamento das sessões, as mídias com os resultados começaram a ser encaminhadas ao cartório eleitoral.

Juiz afirma que não recebeu orientação antes do encerramento

O juiz eleitoral Juliano Martins Ecco afirmou que, até as 17h, não havia recebido orientação formal sobre a decisão de prorrogar o horário da votação. Segundo ele, os mesários tinham autorização legal para encerrar os trabalhos nas sessões em que não havia eleitores na fila. Posteriormente, a orientação encaminhada pela Justiça Eleitoral esclareceu que a extensão do horário deveria valer para as sessões que ainda estivessem abertas no momento da comunicação. De acordo com o magistrado, quando a orientação chegou, não havia mais nenhuma sessão aberta na área sob responsabilidade da zona eleitoral.

Juiz Eleitoral Juliano Martins Ecco afirma que não recebeu orientação antes do encerramento

A decisão que ampliou o horário foi tomada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, diante de relatos de dificuldades no transporte de eleitores em diferentes regiões do país. Inicialmente, a determinação previa a extensão da votação até as 19h. Posteriormente, o ministro esclareceu que a medida deveria ser aplicada somente às seções em que as urnas ainda não haviam sido fechadas.

O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) informou, em nota, que a votação no estado transcorreu sem intercorrências até as 17h. O tribunal também esclareceu que, após o encerramento de uma seção e a emissão do boletim de urna, não é tecnicamente possível reabrir o equipamento para receber novos votos.

O TRE-SC afirmou ainda que, assim que recebeu a comunicação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), orientou os juízes eleitorais a manter abertas até as 19h as sessões que ainda estivessem em processo de votação.

Presidente do TSE diz que decisão não alterou o resultado

Após a repercussão da prorrogação, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a decisão de última hora provocou dificuldades operacionais, mas não comprometeu a apuração nem alterou o resultado final das eleições. Durante o balanço do segundo turno, o ministro declarou que a Justiça Eleitoral conseguiu contornar os problemas decorrentes da mudança no horário.

“Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial. Temos absoluta confiança em todo o processo eleitoral”, afirmou Nunes Marques.

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