O Ministério Público de Navegantes apresentou denúncia grave contra um dos principais políticos da cidade: o vereador e presidente da Câmara Municipal, Júlio Bento (PSD), por práticas que incluem suposto assédio moral, abuso de autoridade, tráfico de influência, favorecimento político-religioso, retaliação e discriminação contra pessoa com deficiência (PCD).
A acusação foi feita por Edimara Czelusuiaki, ex-coordenadora da Biblioteca na Fundação Cultural do município, que alegou ter sofrido condutas abusivas por parte do vereador, incluindo perseguição, ameaças e interferência na sua vida pessoal. Segundo ela, a demissão ocorreu poucos dias após registrar boletins de ocorrência denunciando as ações do vereador.
Relatos indicam que Júlio Bento teria extrapolado os limites do cargo, controlando funções profissionais e tentando influenciar a vida pessoal de pessoas indicadas por ele, chegando a determinar com quem ela poderia ou não se relacionar, tanto no trabalho quanto fora dele. A denúncia, segundo apuração do portal de notícias da BAND, também aponta perseguição específica contra uma colega de matriz africana, enquanto favorecia outra funcionária evangélica – a mesma religião do presidente da câmara.
Conversas registradas via WhatsApp, anexadas à denúncia, revelam ameaças e cobranças por lealdade. Em um trecho, o vereador teria dito o seguinte: “Você tem que estar ao lado da Amanda, não ficar apoiando a Rogéria”, além disso, conforme a conversa anexada, o vereador continuou: “Se continuar, vou ser enérgico na minha atitude”. Conforme a denúncia, a pressão se intensificou com ligações, mensagens e gritos presenciais, culminando na demissão de Edimara em 29 de abril.
Além disso, Júlio Bento teria ligado para o marido da servidora, questionando se ela havia feito boletim de ocorrência, o que viola o sigilo legal. Outra vítima foi a servidora R., funcionária de matriz africana, transferida do CEU das Artes em 17 de abril, supostamente por favorecimento a uma colega de mesma fé de Júlio, ou seja, evangélica.
A denúncia também aponta uso da influência política para manipular cargos e transferências na Fundação Cultural, além de episódios de discriminação relacionados à condição de saúde de Edimara, que é PCD desde 2018. A gravidade das acusações reforça a necessidade de investigação rigorosa por parte dos órgãos competentes, para apurar possíveis abusos de poder e violações de direitos.
O jornalismo da Rede Marazul entrou em contato com a assessoria do presidente da Câmara de Navegantes, que afirmou que o vereador Julio Bento está tranquilo e se defenderá na justiça quando for acionado, apresentando as provas necessárias contra a acusação. Além disso, nosso departamento de jornalismo buscou a Prefeitura de Navegantes para um esclarecimento sobre o fato, no entanto, não houve retorno até o fechamento dessa matéria. A Marazul ainda conversou com a denunciante Edimara. A mesma informou que conversará com a advogada para tentar falar sobre o assunto.
Reportagem – João Sagas.
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