O surgimento de milhares de conchas de diferentes tamanhos e formatos na Praia Central, em Balneário Camboriú, conhecido como a “Dubai brasileira”, tornou-se um novo desafio para oceanógrafos e engenheiros envolvidos no processo de engordamento da faixa de areia. O fenômeno ocorreu no final da última semana e cobriu boa parte da praia, intrigando especialistas e moradores locais.

De acordo com o oceanógrafo Paulo Horta, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a aparição de conchas do tipo berbigão em grande quantidade “não é natural” e exige uma investigação mais profunda. Registros em fotos e vídeos feitos na altura da Rua 2500, na sexta-feira (22), mostram o cenário incomum, que pode estar ligado a fatores ambientais ou ao impacto do alargamento da faixa de areia realizado em 2021.
Ainda segundo o professor Paulo Horta, “é necessário avaliar se estamos diante de um evento de mortalidade em massa dessas espécies. Elas costumam habitar áreas submersas, não a faixa de areia. Esse comportamento pode indicar uma anomalia ambiental ou desequilíbrio no ecossistema marinho”.
A secretária Municipal de Meio Ambiente, Maria Heloísa Furtado Lenzi, destaca que eventos similares já haviam sido observados antes do alargamento da praia, mas afirma que a causa específica do fenômeno ainda é desconhecida. Por enquanto, o debate continua, com muitas especulações sugerindo uma possível relação entre o engordamento da praia e a saúde dos ecossistemas adjacentes.
O aparecimento das conchas reacende discussões sobre os impactos ambientais das obras de engenharia costeira e como elas podem alterar o equilíbrio natural das praias e dos ecossistemas marinhos.
