Capa Brasil

Brasil

Calor extremo reduz oferta de alimentos e eleva inflação dos perecíveis

Hortaliças, leite e frango estão entre os produtos mais afetados

Por: Jeane Carla

As altas temperaturas registradas em diversas regiões do Brasil vêm provocando impactos diretos na produção de alimentos, elevando preços e pressionando o orçamento das famílias. O calor extremo reduz a produtividade no campo, encarece os custos de produção e acelera a deterioração de produtos perecíveis, configurando um cenário que especialistas já classificam como um fator estrutural da inflação alimentar no país.

De acordo com análises econômicas recentes, a onda de calor atua como um choque de oferta. A produção diminui, enquanto a demanda se mantém estável, o que resulta em aumentos rápidos nos preços de hortaliças, legumes, frutas, leite e carne de frango. O grupo “Alimentação no domicílio” tem registrado altas superiores ao índice geral da inflação, refletindo esse desequilíbrio entre oferta e consumo.

Pesquisadores da Embrapa explicam que o impacto do calor é, sobretudo, biológico. Plantas possuem limites de tolerância térmica e, quando expostas a temperaturas acima de 35 °C, acionam mecanismos de defesa que comprometem o crescimento. Para evitar a perda excessiva de água, os vegetais fecham os estômatos, interrompendo a fotossíntese. Além disso, culturas como tomate, pimentão e frutas sofrem o chamado abortamento de flores, impedindo a formação dos frutos e reduzindo a quantidade disponível para comercialização.

As hortaliças estão entre os alimentos mais afetados, por serem altamente perecíveis e dependerem de reposição constante. Dados econômicos baseados em levantamentos do IBGE apontam que itens como tomate e pepino já registraram altas expressivas em curtos períodos, reflexo da rapidez com que o clima extremo compromete a produção.

A cadeia de proteína animal também sofre com o estresse térmico. Na produção de leite, o calor intenso faz com que as vacas gastem mais energia para regular a temperatura corporal, reduzindo a produção. Em períodos de calor extremo, a queda pode ser significativa. Na avicultura, as aves comem menos, ganham menos peso e exigem maior uso de ventilação nos aviários, o que eleva os custos com energia. Parte dessas despesas acaba sendo repassada ao consumidor final.

Além do impacto econômico, as altas temperaturas aumentam o risco de deterioração dos alimentos, favorecendo a proliferação de bactérias e elevando os casos de intoxicação alimentar. O problema reforça a necessidade de cuidados no armazenamento e no transporte, especialmente durante períodos prolongados de calor.

Uma publicação oficial do governo federal destaca que os sistemas alimentares e a mudança do clima estão diretamente interligados. Segundo o documento, as alterações climáticas afetam a produção, a qualidade e o acesso aos alimentos, com reflexos diretos nos preços e na inflação. O governo reconhece que o clima passou a ser um componente relevante no planejamento de políticas públicas voltadas à segurança alimentar e ao controle de preços.

Enquanto as ondas de calor seguirem intensas e recorrentes, a tendência é de maior volatilidade nos preços dos alimentos, principalmente dos perecíveis. O cenário desafia produtores, consumidores e gestores públicos, e reforça o debate sobre adaptação climática, sustentabilidade da produção agrícola e proteção do poder de compra das famílias brasileiras.

Publicidade
Oportunidade

Anuncie no Marazul News

Apareça para milhares de leitores todos os dias no maior portal da região.

Quero Anunciar

Recomendado para você

Publicidade
Oportunidade

Anuncie no Marazul News

Apareça para milhares de leitores todos os dias no maior portal da região.

Quero Anunciar