Calor extremo reduz oferta de alimentos e eleva inflação dos perecíveis

Hortaliças, leite e frango estão entre os produtos mais afetados
Por Jeane Carla 31/12/2025 11h22 - Atualizado em 31/12/2025 11h22

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As altas temperaturas registradas em diversas regiões do Brasil vêm provocando impactos diretos na produção de alimentos, elevando preços e pressionando o orçamento das famílias. O calor extremo reduz a produtividade no campo, encarece os custos de produção e acelera a deterioração de produtos perecíveis, configurando um cenário que especialistas já classificam como um fator estrutural da inflação alimentar no país.

De acordo com análises econômicas recentes, a onda de calor atua como um choque de oferta. A produção diminui, enquanto a demanda se mantém estável, o que resulta em aumentos rápidos nos preços de hortaliças, legumes, frutas, leite e carne de frango. O grupo “Alimentação no domicílio” tem registrado altas superiores ao índice geral da inflação, refletindo esse desequilíbrio entre oferta e consumo.

Pesquisadores da Embrapa explicam que o impacto do calor é, sobretudo, biológico. Plantas possuem limites de tolerância térmica e, quando expostas a temperaturas acima de 35 °C, acionam mecanismos de defesa que comprometem o crescimento. Para evitar a perda excessiva de água, os vegetais fecham os estômatos, interrompendo a fotossíntese. Além disso, culturas como tomate, pimentão e frutas sofrem o chamado abortamento de flores, impedindo a formação dos frutos e reduzindo a quantidade disponível para comercialização.

As hortaliças estão entre os alimentos mais afetados, por serem altamente perecíveis e dependerem de reposição constante. Dados econômicos baseados em levantamentos do IBGE apontam que itens como tomate e pepino já registraram altas expressivas em curtos períodos, reflexo da rapidez com que o clima extremo compromete a produção.

A cadeia de proteína animal também sofre com o estresse térmico. Na produção de leite, o calor intenso faz com que as vacas gastem mais energia para regular a temperatura corporal, reduzindo a produção. Em períodos de calor extremo, a queda pode ser significativa. Na avicultura, as aves comem menos, ganham menos peso e exigem maior uso de ventilação nos aviários, o que eleva os custos com energia. Parte dessas despesas acaba sendo repassada ao consumidor final.

Além do impacto econômico, as altas temperaturas aumentam o risco de deterioração dos alimentos, favorecendo a proliferação de bactérias e elevando os casos de intoxicação alimentar. O problema reforça a necessidade de cuidados no armazenamento e no transporte, especialmente durante períodos prolongados de calor.

Uma publicação oficial do governo federal destaca que os sistemas alimentares e a mudança do clima estão diretamente interligados. Segundo o documento, as alterações climáticas afetam a produção, a qualidade e o acesso aos alimentos, com reflexos diretos nos preços e na inflação. O governo reconhece que o clima passou a ser um componente relevante no planejamento de políticas públicas voltadas à segurança alimentar e ao controle de preços.

Enquanto as ondas de calor seguirem intensas e recorrentes, a tendência é de maior volatilidade nos preços dos alimentos, principalmente dos perecíveis. O cenário desafia produtores, consumidores e gestores públicos, e reforça o debate sobre adaptação climática, sustentabilidade da produção agrícola e proteção do poder de compra das famílias brasileiras.

Intervenção no bairro Fazenda inclui drenagem e novo asfaltamento para melhorar mobilidade.

Calor extremo reduz oferta de alimentos e eleva inflação dos perecíveis

Hortaliças, leite e frango estão entre os produtos mais afetados
Por Jeane Carla 31/12/2025 11h22 - Atualizado em 31/12/2025 11h22

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As altas temperaturas registradas em diversas regiões do Brasil vêm provocando impactos diretos na produção de alimentos, elevando preços e pressionando o orçamento das famílias. O calor extremo reduz a produtividade no campo, encarece os custos de produção e acelera a deterioração de produtos perecíveis, configurando um cenário que especialistas já classificam como um fator estrutural da inflação alimentar no país.

De acordo com análises econômicas recentes, a onda de calor atua como um choque de oferta. A produção diminui, enquanto a demanda se mantém estável, o que resulta em aumentos rápidos nos preços de hortaliças, legumes, frutas, leite e carne de frango. O grupo “Alimentação no domicílio” tem registrado altas superiores ao índice geral da inflação, refletindo esse desequilíbrio entre oferta e consumo.

Pesquisadores da Embrapa explicam que o impacto do calor é, sobretudo, biológico. Plantas possuem limites de tolerância térmica e, quando expostas a temperaturas acima de 35 °C, acionam mecanismos de defesa que comprometem o crescimento. Para evitar a perda excessiva de água, os vegetais fecham os estômatos, interrompendo a fotossíntese. Além disso, culturas como tomate, pimentão e frutas sofrem o chamado abortamento de flores, impedindo a formação dos frutos e reduzindo a quantidade disponível para comercialização.

As hortaliças estão entre os alimentos mais afetados, por serem altamente perecíveis e dependerem de reposição constante. Dados econômicos baseados em levantamentos do IBGE apontam que itens como tomate e pepino já registraram altas expressivas em curtos períodos, reflexo da rapidez com que o clima extremo compromete a produção.

A cadeia de proteína animal também sofre com o estresse térmico. Na produção de leite, o calor intenso faz com que as vacas gastem mais energia para regular a temperatura corporal, reduzindo a produção. Em períodos de calor extremo, a queda pode ser significativa. Na avicultura, as aves comem menos, ganham menos peso e exigem maior uso de ventilação nos aviários, o que eleva os custos com energia. Parte dessas despesas acaba sendo repassada ao consumidor final.

Além do impacto econômico, as altas temperaturas aumentam o risco de deterioração dos alimentos, favorecendo a proliferação de bactérias e elevando os casos de intoxicação alimentar. O problema reforça a necessidade de cuidados no armazenamento e no transporte, especialmente durante períodos prolongados de calor.

Uma publicação oficial do governo federal destaca que os sistemas alimentares e a mudança do clima estão diretamente interligados. Segundo o documento, as alterações climáticas afetam a produção, a qualidade e o acesso aos alimentos, com reflexos diretos nos preços e na inflação. O governo reconhece que o clima passou a ser um componente relevante no planejamento de políticas públicas voltadas à segurança alimentar e ao controle de preços.

Enquanto as ondas de calor seguirem intensas e recorrentes, a tendência é de maior volatilidade nos preços dos alimentos, principalmente dos perecíveis. O cenário desafia produtores, consumidores e gestores públicos, e reforça o debate sobre adaptação climática, sustentabilidade da produção agrícola e proteção do poder de compra das famílias brasileiras.

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