O Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (Compac) de Barra Velha vai se reunir oficialmente nesta segunda-feira (4), com o prefeito Douglas da Costa e representantes da Fundação de Turismo, Esporte e Cultura (Fumtec), para definir a data de inauguração da histórica Casa de Palmitos, agora alocada na Praça Lauro Carneiro de Loyola, a Praça da Lagoa, no centro da cidade.
A previsão é de finalização total da obra nesta semana. O imóvel, construção original dos anos 40, é a primeira grande casa de veraneio da história local, e foi reproduzido sob rigoroso trabalho de preservação. A construção, por solicitação do Compac, deverá ser chamada a partir de agora “Casa de Palmitos Wald Becker”, em homenagem ao seu construtor original.
A melhor e mais adequada utilização do espaço vai passar nesta segunda pela avaliação dos representantes desse colegiado e também do prefeito Douglas, que autorizou o uso da praça para a realocação do imóvel. A reunião será às 18h, na própria casa.
Segundo o presidente do conselho, professor Juliano Bernardes, a sala aos fundos do imóvel será um novo auditório para a cidade; a área frontal deverá abrigar exposições culturais permanentes. Outras sugestões serão avaliadas e apresentadas ao prefeito. Douglas também apontará a data de inauguração do imóvel histórico.
Na última segunda-feira (24), o Compac, representado pelo professor Juliano Bernardes, pela historiadora e professora Angelita Borba de Souza, pela arquiteta Denise Freitas e pelo engenheiro Filipe de Oliveira, reuniram com os restauradores, representantes da empresa Alianza Engenharia e Construções. Os engenheiros Sheila Prochnow Okivet, Luiz Eduardo Melara e Rafael Bueno Gretter, além do arquiteto Jonathan Carvalho, e Ademar Ramos, da Fumtec, participaram dessa apresentação do restauro.
A Barra Sete, empresa que responde pela área do Costão dos Náufragos onde estava originalmente a Casa de Palmitos, também foi representada. A empresa é que atende ao termo de ajuste de conduta entre os proprietários do terreno original, que em acordo amigável, não apenas liberaram o imóvel, mas também custearam todo o processo de reconstrução e restauro.
Durante o encontro da segunda passada, Sheila Okivet, engenheira da Alianza, juntamente com o arquiteto Jonathan, detalharam o processo de reconstrução para o Compac e para a Fumtec. Segundo a equipe técnica, os palmitos originais praticamente revestiram toda a área externa do imóvel, garantindo com grande fidelidade a originalidade do imóvel; portas e janelas foram reaproveitadas.
O esmero no trabalho da Alianza, segundo Sheila, ficou tão evidente, que até as cantoneiras arredondadas que permitem o fechamento das frestas nos troncos de palmitos encaixados um a um para constituição das paredes foram personalizadas. “Como esses troncos tinham diâmetros diversos, cada cantoneira é única, cortada especificamente para cada bloco”, comentou ela.
O uso de madeiras novas na construção também foi pensado de maneira a que se possa identificar o que é original na obra, e o que é fruto do restauro. A casa ganhou luminárias, novo assoalho – já que o original estava destruído – e também escadeira e sótão foram recriados. Foram instalados banheiros adaptados e cozinha. Uma varanda de vidro, acesso lateral da casa, foi acrescida ao projeto, elaborado pela empresa Ornato, sob supervisão da Alianza, que coordena várias obras de restauração na região. A arquiteta Denise Freitas também acompanhou o processo. A casa tem 224m² somente no andar térreo, sem somar o espaço do sótão.
A Ornato e a Alianza, contratadas pelos investidores após o termo de ajuste visando desmonte e retirada do madeirame original, buscaram preservar ao máximo a casa original. Tudo que podia ser reaproveitado foi conservado pelos técnicos que desmancharam a casa original – principalmente os troncos de palmito ainda resistentes ao tempo em mais de seis décadas. Todas as peças foram retiradas, classificadas e numeradas com plaquetas, visando a reconstrução.
“Patrimônio material e imaterial”
Mestra em Patrimônio Cultural e Sociedade, a professora Angelita Borba de Souza comenta que embora não tenha sido possível manter o terreno original, a casa propriamente dita é patrimônio, deslocada a uma praça que também é. “Um patrimônio não precisa estar fixado num ponto; há o conceito do patrimônio imaterial”, pontua ela. “Pode-se dizer que essa casa une os conceitos do material e do imaterial”.
Juliano e Angelita agradeceram a atenção dada pela empresa, e parabenizaram não apenas o profissionalismo, mas o detalhamento oferecido pela equipe técnica. E o presidente do conselho fez questão de novamente agradecer ao prefeito Douglas pela confiança nesse projeto.
Os dois professores – que no início do ano 2000 desencadearam a primeira ação pública pela preservação do imóvel, com um “abraço” de estudantes na casa – consideraram que esse foi o passo mais importante dado por Barra Velha na preservação de seu patrimônio. Dessa mobilização inicial surgiu a ideia de agir juridicamente para que a casa fosse legalmente tombada.
Já Filipe de Oliveira frisou que a partir de agora, há que se ter o maior cuidado na questão da preservação da casa por parte do poder público, que a assumirá, principalmente na questão da segurança. O arquiteto Jonathan Carvalho pontuou que devido ao avançado estado de degradação da casa em seu endereço original, no Costão dos Náufragos, ela estava no limite para sua conservação. “Mais um pouco, e se perderia quase tudo”, reforçou o arquiteto.